Oportunidades criadas em tempos de covid

26 Nov, 2020

A pandemia lançou-nos diversos desafios organizacionais e na implementação dos projectos que desenvolvemos. Obrigou-nos a pensar e definir planos de contingência, a cuidar da relação com parceiros e mesmo com comunidades à distância, a promover uma proximidade digital. Foi preciso reinventar formas de fazer.

Alguns processos tornaram-se mais complexos de gerir mas a pandemia trouxe-nos também oportunidades e a capacidade de gerir alguns problemas que anteriormente considerávamos difíceis de ultrapassar como o acesso à internet.

No âmbito do projecto Emanguluko – Promoção da Resiliência nas Comunidades afetadas pela Seca na Província da Huila estava previsto para o ano de 2020 uma formação sobre agricultura sustentável dirigida essencialmente às equipas da REDRAS – Rede de Desenvolvimento Rural e Agricultura Sustentável, promovida pela Caritas de Angola. A formação seria presencial com a deslocação das diferentes equipas à província da Huila.

Em conjunto com a coordenação da REDRAS propusemos às equipas manter a formação mas num formato online. Formação mais espaçada no tempo, menos horas por dia e a oportunidade de ter diferentes formadores, com especializações diferenciadas, e de vários países. O desafio estava lançado e a adesão foi muito positiva. Contornaram-se os obstáculos dos acessos à internet e motivou-se a participação digital.

Apesar da distância conseguiram-se dinamizar sessões participativas, em que as equipas tiveram também oportunidade de partilhar as suas práticas, de reflectir sobre as suas dificuldades em diferentes áreas de intervenção, de trocar experiências. A formação cobriu vários temas identificados pelas equipas: a covid-19, desde a prevenção e sensibilização à criação de respostas com os recursos endógenos da comunidade (produção de sabão e produção de álcool-gel); desenvolvimento comunitário, com o Professor Roque Amaro do ISCTE, igualdade de género com o Naftal Guambe do Movimento Educação para a Transformação da África do Sul; Diferentes tipos de sementes e Banco de Sementes com a Engenheiras Agrónomas Ana Rodrigues e Miriam Bacchin; Trabalho em rede com a ONGD ACTUAR e partilha de experiências com redes de São Tomé e Príncipe; Conversas informais com ONGDs sobre experiências de agricultura sustentável.

Mesmo com restrições imposta pelo contexto da covid-19, fez com que a REDRAS se readaptasse a sua forma de actuar perante os seus parceiro, é assim que participação digital foi o caminho encontrado e que quebrou todos os obstáculos que impunha, as equipas ficaram mais próximas, há mais interacção e partilhas facilitou maior participação, redução de custos com viagens e alojamentos, como também fez que os membros das equipas melhorassem o maneio destas ferramentas de comunicação e informação. As pessoas estão mais ligadas as TIC, se comunicam mais.

Esta adaptação de trabalho, foi bem aproveitada pela REDRAS, no sentido que foi dando a conhecer a sua existência em Angola, diante de outras redes regionais (CPLP) e globais, como também abriu portas para uma maior cooperação e intercâmbios entre as redes, tornando-as mais forte, interactiva, no sentido de ter uma voz única (advocacia) capaz de influenciar as políticas públicas dos nossos governos.  

Um processo que se percebe que não se esgota aqui e que é uma boa prática para o futuro.

Últimas notícias…