Cooperação triangular: Uma cultura de parceria para a inovação e capacitação de pessoas
Nos dias 7 e 8 de outubro, estivemos na 8ª Conferência Internacional sobre Cooperação Triangular, na Fundação Calouste Gulbenkian. Fruto de uma parceria entre o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P. e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), o evento procurou popularizar este modelo de cooperação que, enquanto potenciador de parcerias alargadas, pode ser gerador de projetos inovadores e aceleradores do desenvolvimento.
“Conectando processos globais para criar impacto local” foi o lema da conferência, que sintetiza numa fórmula curta o lugar auspiciado para a Cooperação Triangular, um conceito que vai ganhando tração e que é parte integrante das ações da UNOSSC, o gabinete das Nações Unidas para a Cooperação Sul-Sul.
A Cooperação Triangular é um modelo de cooperação complementar aos modelos Norte-Sul e Sul-Sul no financiamento e capacitação, focando a dinâmica nas parcerias entre três ou mais entidades – Estados, setor privado, academia, sociedade civil, entre outros – e nas trocas multiparceiros. A designação ganhou projeção em 2019, sublinhando a importância das parcerias em contraciclo à crescente polarização regional e mundial, e em linha com a necessidade e responsabilidade partilhada na perseguição e alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Estratégia, sistemas e projetos foram os três níveis de intervenção trabalhados durante a conferência. No primeiro nível, mais macro, sublinhou-se a importância da inovação e da inteligência artificial (IA), a institucionalização dos mecanismos e a inclusão de todos os parceiros, incluindo academia e setor privado. Ao nível dos sistemas, levantou-se a necessidade de sintonizar as práticas da cooperação com as necessidades reais, o investimento e clarificação dos mecanismos de coordenação e a articulação nos diferentes quadros burocráticos entre Estados e instituições. Ao nível mais micro, nos projetos, assinalou-se a necessidade de combater a erosão cultural nestas dinâmicas de cooperação global, a centralidade dos projetos nas ações, a utilização da IA e o posicionamento da Cooperação Triangular como acelerador do desenvolvimento.
É notório e de louvar o interesse de Portugal neste modelo de cooperação, ilustrado não só no apoio e trabalho conjunto com a OECD no acolhimento deste tipo de encontros, como no financiamento a candidaturas.
O trabalho da FEC com parcerias não é novo e a atuação com atores locais de níveis mais institucionais, como ministérios, e com parceiros da sociedade civil faz parte da nossa cultura. Enquanto ONG internacional com ações sobre temas semelhantes, em diferentes geografias, a Cooperação Triangular pode potenciar os resultados obtidos, promovendo a reflexão, conceção e implementação de projetos inovadores e focados num eixo central da nossa atuação: a capacitação de pessoas.
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