Educar para a Igualdade: Diagnóstico revela barreiras de género na educação em Angola e Moçambique
Um diagnóstico recentemente realizado em Angola (Província do Namibe) pela FEC e em Moçambique (Província de Nampula) pela Helpo revela os principais desafios que continuam a limitar o acesso e o sucesso escolar, em especial das raparigas. As conclusões e recomendações resultantes deste processo participativo serão apresentadas na Conferência Nacional “Educar para a Igualdade: um Futuro sem Barreiras de Género”, que terá lugar em Luanda, no dia 27 de novembro de 2025, no Centro Português de Cooperação da Embaixada de Portugal em Angola.
O estudo está inserido no âmbito do projeto Marias Meninas e identificou diversas barreiras à equidade e igualdade de género na educação, com base em inquéritos realizados junto de raparigas, rapazes, encarregados de educação, professores, diretores de escolas e líderes comunitários e religiosos. As recomendações apresentadas foram construídas pelos grupos de reflexão locais das duas províncias, com a FEC e a Helpo a atuarem apenas como facilitadoras do processo.
Entre as principais barreiras identificadas, destacam-se:
- Insegurança no espaço escolar, com propostas de construção de muros, presença de guardas e policiamento junto às escolas;
- Longas distâncias entre casa e escola, que motivam a recomendação de criação de escolas mais próximas das comunidades e de lares ou internatos para estudantes;
- Famílias que priorizam tarefas domésticas e agrícolas em detrimento da escola, com a proposta de alfabetização de adultos para reforçar o valor da educação;
- Barreira linguística entre professores e alunos, sobretudo em zonas rurais, com a recomendação de formação contínua de docentes nas línguas nacionais e prioridade de colocação para quem as domina;
Sílvia Santos, representante da FEC em Angola afirma que “Ao ouvirmos as raparigas e as comunidades, ficou evidente que são também elas as protagonistas da própria mudança”. Acrescenta ainda que “Este diagnóstico mostra que, com escuta e colaboração directa, podemos apoiar a transformação de realidades e abrir caminho para um futuro sem barreiras de género”.
A conferência reunirá representantes de ministérios, agências das Nações Unidas, parceiros internacionais, organizações da sociedade civil e instituições de ensino, promovendo um espaço de diálogo para pensar estratégias conjuntas que contribuam para eliminar as barreiras de género na educação.
Todos estão convidados a marcar presença e a participar nesta conversa.
Sobre o projeto Marias Meninas
Em Moçambique e Angola, o abandono escolar é particularmente elevado entre as raparigas, sobretudo na transição para o ensino secundário, devido a formas de discriminação enraizadas. O projeto Marias Meninas, implementado pela Helpo e pela FEC, em parceria com o ISCTE e o CESC e cofinanciado pelo Camões, I.P., identifica os desafios à igualdade de género na educação a partir de uma perspetiva interseccional. Ao longo de 24 meses, realizou um diagnóstico alargado e produziu recomendações que apoiam práticas e políticas públicas mais adaptadas às realidades locais, dando voz às raparigas e às comunidades na construção de soluções.
Últimas notícias…
Formadores do ensino primário do sul de angola reforçam competências pedagógicas em matemática e português
Vieram dos nove municípios da província do Namibe, no sul de Angola, para participar em duas semanas intensivas de formação de formadores de professores, organizadas pela FEC no âmbito do projeto Twetu. O objetivo é reforçar as competências científicas, pedagógicas e...
Relatório de Atividades 2025
2025 foi um ano de mudança e de desafios. Num contexto de maior conflitualidade e incerteza, mantivemos o nosso compromisso com a dignidade e a justiça. Com 18 projetos em curso, chegámos a 4 920 pessoas em ações formativas e a mais de 22 mil em campanhas de...
